Devastação de colmeias
Há alguns anos, numerosas colônias de abelhas têm entrado em colapso em massa. Principais vítimas são as abelhas-de-mel (Apis mellifera), que vivem na Europa, América do Norte e Oriente Médio. A primeira onda de mortes, nos Estados Unidos em 2006 e na Alemanha em 2008, foi causada por um pesticida chamado neonicotinoide, que atualmente só pode ser aplicado em pequenas doses.
Efeito danoso
Porém novos estudos na França e Grã-Bretanha mostram que até mesmo
pequenas doses de neonicotinoide podem ser prejudiciais às abelhas. O
pesticida não é aplicado diretamente nas plantas, suas sementes é que
são banhadas na substância. Assim esperava-se que as abelhas ficassem
menos expostas ao veneno desenvolvido para combater pragas herbívoras.
Menos rainhas
Em seus experimentos, os pesquisadores expuseram as abelhas às mesmas
doses aplicadas nas plantações. Seis semanas mais tarde, constataram
que 85% das colmeias tratadas com neonicotinoide não produziram
abelhas-rainhas, essenciais para a sobrevivência das colônias. Além
disso, os seus ninhos eram menores do que os das abelhas não expostas ao
pesticida.
Falta de orientação
Num segundo experimento, pesquisadores implantaram chips eletrônicos
em 653 abelhas, a fim de estudar seus padrões de voo. Algumas delas
foram expostas a uma pequena dosagem de neonicotinoide, e sua
mortalidade durante o voo foi duas a três vezes maior do que entre os
insetos não tratados. Os pesquisadores acreditam que o pesticida
interfere no senso de orientação das abelhas.
Mini-piolhos
Além dos pesticidas, o ácaro varroa (Varroa destructor) representa um
enorme problema para as abelhas-de-mel na Europa e na América do Norte.
As abelhas melíferas asiáticas são imunes ao parasita, originário de
seu próprio continente. Como as sanguessugas, esses minúsculos piolhos
picam as abelhas ou suas larvas nos favos, para sugar um líquido
semelhante ao sangue, chamado hemolinfa.
Vacina controversa
As larvas do sexo masculino são particularmente vulneráveis aos
ácaros. Por isso, certos apicultores usam como isca favos contendo
futuros zangões, para retirá-los pouco antes de eclodirem junto com os
ácaros. Os ácaros são também combatidos com ácidos orgânicos. Mas muitos
se recusam a empregar uma vacina de DNA modificado, desenvolvida para
tornar as abelhas mais resistentes e matar os ácaros.
Perdas enormes
De acordo com o grupo ambiental alemão Nabu, a população inteira de
abelhas na Europa caiu 10% nos últimos anos. A queda da população é
ainda maior nos Estados Unidos, com 30%, chegando a 85% no Oriente
Médio. Uma única colônia abriga mais de 60 mil insetos. Se 300 mil
colônias sucumbem, como aconteceu na Alemanha no último inverno, isso
significa a morte de 18 bilhões de abelhas.
Trabalhadoras árduas
Como produtoras de mel e polinizadoras de plantas, as abelhas
desempenham um papel crucial na agricultura e no ecossistema. Elas são
encontradas em todo habitat do planeta que contenha plantas polinizadas
por insetos. Esse processo natural garante lucros econômicos globais na
casa de 70 bilhões de dólares por ano.
Autoria: Andreas Sten-Ziemons
| Edição: R. Álvares / A . Valente
Fonte: Deutsch Welle








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