quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Novo estudo reabilita Tiranossauro rex como legítima máquina mortífera

Concepção artística do Tiranossuro rex, que de temido predador foi transformado por revisionistas em comedor de carniça


Paleontólogos voltaram atrás nesta quarta-feira em um acalorado debate sobre a natureza do Tiranossauro rex, que de temido predador foi transformado por revisionistas em um comedor de carniça e agora retoma sua fama de caçador da pré-história.

Por mais de um século depois de sua descoberta, muitos cientistas têm descrito rotineiramente o T-rex como o rei das máquinas mortíferas, com seis toneladas de dentes, músculos e força, projetado para derrubar e destroçar dinossauros com muitas vezes o seu tamanho.

Mas, ao longo da última década, uma nova escola formou um novo retrato, menos elogioso, da espécie.

Segundo esta teoria, o T-rex seria apenas um lagarto oportunista, atrapalhado e lento demais para conseguir caçar sozinho.

Por este motivo, ele simplesmente roubaria a refeição depois que predadores mais astutos tivessem feito o trabalho sujo. Em outras palavras, seria mais como uma hiena do que como um leão.

O primeiro ataque às credenciais predatórias do dinossauro carnívoro veio à tona em 2003, quando o especialista americano Jack Horner concluiu que os braços sem garras do T-rex, os olhos pequenos e as patas pouco ágeis demonstrariam que ele seria "100% carniceiro".

Em 2007, o cientista John Hutchinson da Escola Real de Veterinária, do Reino Unido, desferiu outro golpe na reputação do tiranossauro, ao demostrar que o "desajeitado" animal precisaria de mais de dois segundos para dar uma volta de 45 graus, facilitando a fuga da presa.


EM DEFESA DO PREDADOR


Agora, um novo estudo publicado na revista "Royal Society B: Biological Sciences" pode reequilibrar a balança a favor do famoso dino.

O cientista Chris Carbone, da Sociedade Zoológica de Londres, e seus colegas afirmam que alguns dos traços analisados que levantaram dúvidas sobre a perícia predatória do tiranossauro estão cheios de ambiguidades.

Segundo eles, o olfato apurado, presumido pelos bulbos olfativos aumentados, que é um traço comum entre carniceiros, como os urubus, também pode ajudar um caçador.

Eles argumentam, também, que os olhos do dino não são tão pequenos quanto se pensa e sua visão binocular, juntamente com sua mordida esmagadora e dentes resistentes a impactos, seriam bem adaptados para a caça.

Mas o argumento mais convincente de Carbone sobre a predação não tem nada a ver com os traços físicos do terópode gigante.

"Fizemos uma abordagem ambiental, estabelecendo uma lista completa de todas as espécies na área", explicou o cientista por telefone.

"O que é novo é que tiramos conclusões sobre a abundância a partir do tamanho dos animais" no Cretáceo tardio, afirmou, em alusão ao período compreendido entre 85 milhões e 65 milhões de anos atrás, quando o T-rex reinou absoluto.

Com base em registros fósseis e estudos da distribuição da fauna nas planícies do Serengeti, no leste da África, hoje, Carbone calculou que o ecossistema na época teria sido enormemente habitado por dinossauros menores.

Entre os carnívoros, 80% pesariam cerca de 20 kg e o T-rex responderia por 0,1% da população.

Entre os herbívoros, geralmente mais pesados, cerca da metade pesava cerca de 75 kg.

Os cientistas calcularam o perímetro onde o T-rex poderia se deslocar diariamente, quantos dinossauros mortos de tamanhos diferentes encontraram pelo caminho e outro tipo de alimento que pudesse ser detectado.

"Em vista da distribuição de carcaças e da competição potencial com outros dinossauros carnívoros, é extremamente improvável que um T-rex adulto pudesse se alimentar a longo prazo de carniça como estratégia de alimentação sustentável", concluiu o estudo.

Segundo Carbone, cães selvagens e hienas --similares em tamanho e relativamente abundantes tanto quanto dinossauros menores do Cretáceo tardio-- "são capazes de reduzir uma carcaça de 70 quilos a pedaços de pele e ossos em um prazo extremamente rápido, certamente em menos de uma hora".

De acordo com o cientista, um carniceiro lento teria um desempenho muito pior e sofreria as consequências disto.


Fonte: Folha.com

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