As ilhas e rochedos do arquipélago das Cagarras, que escondem um precioso sítio arqueológico com artefatos tupis-guaranis
Especialista espera autorização do Iphan para estudar sítio histórico localizado há uma semana no arquipélago.
O arquipélago das Cagarras, a cinco quilômetros da Praia de Ipanema,
esconde um precioso sítio arqueológico com artefatos tupis-guaranis.
A
descoberta foi feita por Rita Shell, chefe do setor de arqueologia do
Museu Nacional da UFRJ, há uma semana.
Conforme mostrou a coluna Gente
Boa, do GLOBO, no domingo, a pesquisadora agora aguarda a autorização do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para
botar a mão na massa e, com sua equipe, descobrir mais sobre os povos
que navegavam até aqueles rochedos.
A autorização deve demorar cerca de
um mês. Recentemente, também foram encontradas peças arqueológicas no
Leblon e na Zona Portuária do Rio.
O achado nas Cagarras surpreendeu pesquisadores. Há farto material, desde ferramentas, conhecidas como quebra-coquinhos, a uma lâmina de machado em pedra, além de fragmentos de cerâmica. Tudo espalhando numa área de aproximadamente 500 metros quadrados.
Rita, que esteve no arquipélago com voluntários do Projeto Ilhas do Rio, explica que os objetos foram achados numa área de difícil acesso, sem fontes de água doce e berçário de espécies de aves. Sobre o período histórico das ferramentas, a arqueóloga diz que a informação só poderá ser levantada com estudos mais aprofundados.
— Por enquanto, é impossível precisar o período. Temos registro de descobertas tupis-guaranis de três milanos atrás. Os registros mais recentes, porém, datam da época da chegada dos europeus. Mas posso adiantar que são vários fragmentos e diversos objetos líticos.
Nossa expectativa é que, após a autorização do Iphan, possamos fazer uma divulgação das peças — disse a pesquisadora. — O fato de a área ser de difícil acesso é muito positivo, pois, quanto menos interferência, melhor.
Esta é a primeira vez que se descobre um sítio arqueológico nas Cagarras, embora a região seja objeto de muitas pesquisas sobre a flora e a fauna submarina.
Protegido por uma unidade de conservação federal desde abril de 2010, o arquipélago foi, possivelmente, ocupado por índios em função da grande possibilidade de obtenção de recursos, como ovos de atobás, tesourões e gaivotas, além de cocos e peixes.
Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira e especializado em arqueologia subaquática, Gilson Rambelli comemorou a descoberta:
— Vivemos no Brasil um momento arqueológico muito especial. Este achado é fantástico, ajuda a mostrar o quanto as sociedades pré-europeias tinham o controle da navegação.
Não à toa, em seus textos, Pero Vaz de Caminha e Américo Vespúcio relatavam ter avistado embarcações com até 50 remadores. Já foram encontrados vestígios históricos de diferentes grupos em várias ilhas do litoral brasileiro. Fico contente e surpreso com esta novidade. Nos últimos anos o Rio tem nos surpreendido.
Arqueologia ganha cada vez mais espaço no país
Rambelli acrescenta que a arqueologia ganha terreno e importância a cada ano no país. Atualmente, por exemplo, licenciamentos ambientais contam com trabalho de arqueólogos.
— O Brasil tem hoje dez cursos de graduação na área. A demanda por profissionais tem crescido.
Fonte: O Globo Online

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