Uma equipe de arqueólogos italianos desenterrou na terça-feira (24/7)
em um convento abandonado de Florença um esqueleto muito bem conservado
que pode ser de La Gioconda, a mulher do sorriso misterioso que
Leonardo Da Vinci imortalizou no célebre quadro da Mona Lisa.
Até
agora foram descobertos vários corpos na busca pelos restos mortais de
Lisa Gherardini, a nobre florentina que pode ter sido o modelo do
retrato que Da Vinci pintou entre 1503 e 1506.
Segundo Silvano
Vinceti, diretor da equipe de arqueólogos, este esqueleto em particular é
muito promissor, mas ainda será preciso fazer testes pra comprovar sua
identidade.
"Creio que chegamos à parte realmente emocionante
para os investigadores, a conclusão de nosso trabalho no qual nos
aproximamos da pergunta-chave: encontraremos ou não os restos de Lisa
Gherardini?", afirmou Vinceti, especialista na solução de mistérios da
História da Arte.
Os arqueólogos começaram a cavar no ano
passado, quando novos documentos confirmaram que Gherardini, a esposa de
um rico negociante de seda florentino chamado Francesco del Giocondo,
viveu no convento depois da morte de seu marido, onde suas duas filhas
freiras cuidaram dele e onde, em seguida, ela foi enterrada.
Acredita-se que Del Giocondo encomendou o retrato a Da Vinci e, apesar
de não existirem provas tangíveis, a maioria dos historiadores está de
acordo que Lisa Gherardini serviu de modelo para o retrato que hoje pode
ser admirado no Louvre de Paris.
Reconstituição do rosto
Os
pesquisadores submeterão agora os restos do esqueleto conservado a uma
série de testes para confirmar se pertencem a Gherardini, na esperança
de reconstruir seu rosto e compará-lo com os traços faciais da pintura
de Da Vinci.
"Os testes com carbono-14 nos permitem datar o
período para saber se os restos são de meados do século XVI. Depois
faremos testes para conhecer a idade da pessoa quando morreu. Sabemos
que Gherardini tinha 62 ou 63 anos quando morreu", afirmou Vinceti.
"Depois vem o teste mais
importante, o do DNA, porque temos os restos mortais de suas filhas. Se
corresponderem, saberemos que são os restos da modelo que inspirou a
Mona Lisa", acrescentou o arqueólogo, que também preside o Comitê
Nacional Italiano para o Legado Cultural. Se for confirmada a identidade
do esqueleto, os investigadores iniciarão um processo de dois meses
para reconstruir o rosto.
"Os traços fundamentais serão
claramente visíveis. Já tentamos com Dante Alighieri, quando
reconstruímos seu rosto. Seremos capazes de deixar para trás as
hipóteses e comparar realmente o rosto reconstituído da musa que
inspirou o artista", explica o especialista.
A identidade da Mona
Lisa e de seu enigmático sorriso são um dos grandes mistérios da
História da Arte e os arqueólogos da equipe italiana asseguram que é
emocionante estar tão perto de desvendá-lo.
Fonte: Correio Braziliense


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