Em 19 de setembro de 1991 (13h30 no horário local), Erika e Helmut
Simon, de Nuremberg, Alemanha, estavam nos Alpes italianos, na fronteira
com a Áustria, quando decidiram pegar um atalho.
Quando eles passavam
por uma ravina preenchida com água de gelo derretido, notaram algo
marrom no caminho. No início, eles acharam que era lixo, mas depois
notaram que era um corpo humano.
Mais do que isso, foi descoberto depois
que era um corpo de 5 mil anos, uma das mais antigas múmias conhecidas,
que recebeu o nome de Oetzi (no lado italiano), ou Ötzi (no austríaco).
Inicialmente, o casal Simon acreditava que era um aventureiro azarado
que teria morrido alguns anos antes. Contudo, seis dias depois da
descoberta, um arqueólogo observou um machado encontrado com o corpo e
avaliou que teria, "pelo menos, 4 mil anos".
Na retirada do corpo não
havia arqueólogos presentes. A retirada, aliás, não foi fácil. As
primeiras tentativas fracassaram devido ao mau tempo e ao fluxo da água
que escorria das montanhas devido ao derretimento do gelo. A equipe que
tentava tirar o corpo do local chegou a danificá-lo com uma broca.
Da retirada, os arqueólogos viram apenas um vídeo. Somente entre 3 e 5
de outubro uma investigação foi feita para determinar o local exato da
múmia e para achar objetos do homem.
Em 1992, uma nova análise
arqueológica foi feita, dessa vez com equipamentos para derreter o gelo -
o que ajudou bastante.
Os cientistas acharam fragmentos de pele, pelo,
fibras musculares e até de unhas. Parte de um arco também foi
recuperada, além de uma capa de pele de urso. Eles procuraram até acabar
com as possibilidades de encontrar algum objeto.
Os pesquisadores acreditam que Oetzi foi coberto de neve e depois por
gelo logo após sua morte. Isso porque o corpo resistiu a predadores e à
decomposição.
Eles acham que a múmia foi exposta ao ambiente somente por
um breve período antes de sua descoberta, já que estava muito bem
preservada.
E a preservação foi um dos pontos que mais chamou a atenção.
Era a
primeira vez que se encontrava uma múmia tão antiga e ainda com roupa e
objetos. Quatro instituições analisaram o corpo e os testes tiveram os
mesmos resultados: Oetzi viveu entre 3350 a.C. e 3100 a.C. - ele já
estava preso no gelo quando o faraó Quéops mandou erguer sua pirâmide.
A descoberta logo virou notícia ao redor do planeta - o que gerou muita
confusão, já que a múmia ainda não tinha um nome. Curiosamente, o nome
Oetzi (ou Ötzi, no caso) foi dado pela primeira vez por um jornal de
Viena, pelo jornalista Karl Wendl, já que ele foi achado próximo ao vale
Otz. Oficialmente, ele se chama apenas "o homem do gelo".
O corpo
Quando encontrado, Oetzi tinha 1,54 m e 13 kg. Ele era um homem e os
pesquisadores acreditam, a julgar pela estrutura óssea, que tinha 45
anos.
A julgar pela estatura média do neolítico, tinha por volta de 1,6
m. Era magro, com pouca gordura subcutânea - o que lhe daria cerca de 50
kg.
O cabelo caiu todo durante o processo de mumificação, mas era escuro e
ondulado. Ele ia pelo menos até os ombros. Outros pelos mais curtos
foram encontrados, o que indica que ele certamente teria barba.
Testes
de DNA indicam olhos castanhos. Várias reconstruções da face foram
feitas. A última, pelo Museu do Sul do Tirol, que se baseou nos estudos
mais recentes da múmia.
Os cientistas descobriram - usando, por exemplo, exames de imagem - que
ele não tinha um par de costelas - uma anomalia rara, mas que não lhe
causava problemas. Várias costelas estavam fraturadas, sendo que algumas
do lado esquerdo do corpo eram mais recentes.
Não se sabe a causa das fraturas na costela, mas as deformidades no
crânio foram causadas pela pressão do gelo. Ele tinha um diastema (um
espaço entre os dentes) entre os incisivos superiores. Outra curiosidade
era a falta de sisos.
O lado esquerdo do maxilar estava desgastado, o
que indica que ele usava os dentes para trabalhar madeira, ossos e
couro, por exemplo.
O corpo tem cerca de 50 tatuagens, geralmente linhas e cruzes. Segundo
os pesquisadores, elas certamente eram um tratamento para aliviar a dor.
Incrivelmente, as áreas tatuadas combinam com linhas de acupuntura, uma
técnica que se acredita ter sido criada 2 mil anos depois, na Ásia.
Para examinar o corpo por dentro, os pesquisadores fizeram aberturas nas
costas da múmia e usaram instrumentos de titânio (para evitar
contaminação por metais pesados).
Os órgãos diminuíram consideravelmente
de tamanho. Os pulmões estão escurecidos e cheios de partículas - o que
indica que ele passou muito tempo em frente a fogueiras.
A última
refeição de Oetzi teve trigo selvagem (certamente em forma de pão, mas
análises ainda são feitas), carne e vegetais.
Aos 45 anos, ele certamente era um dos mais velhos de seu grupo. As
juntas estavam gastas e as artérias endurecidas.
Apesar de certo
desgaste, os dentes estavam bem preservados. Seu estômago tinha ovos de
parasitas (Trichuris trichiura).
O cabelo indica uma quantidade
de chumbo no corpo muito menor que a da população de hoje em dia, mas
com uma quantidade bem maior de arsênio (o que indica que se envolveu
com derretimento de metais e extração de cobre).
Uma unha indicava que sofria de algum tipo de doença crônica. Três
linhas na unha indicam que passou por períodos de forte estresse do
sistema imunológico oito, 13 e 16 semanas antes de sua morte. A análise
de DNA indica que ele se encaixa na população central europeia da época.
Quem era e como morreu Oetzi?
Quando vivo, o homem de gelo certamente era de uma família com alto
status. Como os cientistas sabem isso? Por causa de seu machado - um
símbolo de status na época. O que ele era exatamente, não se sabe.
Julgando pelo que sabemos, ele pode ter sido um curandeiro que subiu a
montanha atrás de ervas, ou um caçador (já que portava arco e flecha),
minerador (julgamento pelo machado de cobre) e até um pastor em migração
- uma profissão comum na época e que precisava de equipamento para
viagens (o corpo tinha recipientes com comida) e do arco para caçar e
para momentos de emergência.
A última hipótese é suportada pelo fato de o
local ser uma passagem entre os vales Schnals e Otz. Contudo, não foram
encontrados restos de animais no local, nem na roupa.
As costelas quebradas e outros danos no corpo suportam outra teoria: de
que Oetzi estava fugindo. Os cientistas acreditam que ele possa ter
levado uma flechada no abdome, mas, de alguma forma escapou de seus
perseguidores.
Ele chegou na ravina e agonizou nos últimos momentos,
morrendo pelos ferimentos de seus perseguidores.
As informações são do Museu do Sul do Tirol, na Áustria, onde Oetzi e
seus objetos estão expostos desde 1998, depois de anos de análises na
Universidade de Innsbruck.
Fonte: Terra



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