Um mosaico de imagens do centro da Via-Láctea, tiradas com um
telescópio no Chile, registrou a presença de cerca de 84 milhões de
estrelas, na maior observação desse tipo já feita pela astronomia.
O
trabalho, de um grupo internacional de cientistas, que contou com quatro
brasileiros, resultou em uma "foto" gigantesca de 9 gigapixels - se
fosse impressa, na resolução típica de publicação em livro, teria 9
metros por 7 metros.
É a primeira vez que se consegue observar tantas estrelas. Antes
desse trabalho, o maior registro era do ano 2000, com 9 milhões de
estrelas da Grande Nuvem de Magalhães, conta o pesquisador Bruno Dias,
da Universidade de São Paulo, colaborador do Observatório Europeu do Sul
(ESO, na sigla em inglês) e um dos autores do trabalho.
Usando o telescópio Vista, do observatório Paranal do ESO, que faz a
exploração em infravermelho, foi possível penetrar a nuvem de poeira
presente na Via-Láctea para fazer as imagens.
A área coberta, equivalente a menos de 1% de todo o céu, foi
observada diversas vezes com três filtros de cores de infravermelho para
melhorar a visualização. Foi desse catálogo de centenas de imagens que
se obteve o mosaico divulgado na quarta-feira (24).
Num primeiro momento, explica o também brasileiro Roberto Saito, da
PUC do Chile, foram observados 173 milhões de objetos, dos quais 84
milhões foram confirmados como estrelas e selecionados por apresentarem
as informações mais perfeitas, com o que os pesquisadores chamam de
melhor fotometria.
"Nem fracas nem brilhantes demais nem coladas umas nas outras",
explica Saito, o principal autor do trabalho, publicado na revista
científica Astronomy & Astrophysics.
A porção central e mais interna, conhecida como bojo galáctico, é a
mais densa da Via-Láctea e contém quase um terço de todas as suas
estrelas.
O trabalho, que começou em 2010 e segue até 2014, além de
chamar atenção pelo tamanho, destaca-se por dar as primeiras noções da
estrutura da galáxia.
Mapa 3 D. Diagramas de cor e magnitude que foram obtidos fornecem
informações sobre as propriedades físicas dos astros, como temperatura,
massa e idade, e dicas de onde podem ser encontrados planetas parecidos
com a Terra. O objetivo é, ao final do projeto, ter um mapa em três
dimensões dela.
"Hoje conhecemos centenas de milhões de galáxias em todo o universo,
mas não sabemos como é a nossa porque estamos dentro dela e olhá-la é
mais difícil. Todos os dados desse trabalho serão públicos. Com base
nele, diferentes pesquisadores poderão fazer outros trabalhos que vão
ajudar a conhecer a estrutura galáctica", afirma Saito.
Segundo ele, o objetivo é tentar entender como ela surgiu e evoluiu.
Diversas pesquisas já propuseram teorias para essas questões, mas, como
lembra o pesquisador, sem saber direito como é a Via-Láctea hoje, fica
difícil comprová-las ou não.
Essas imagens devem ajudar nesse sentido. "Entender o passado da
galáxia depende de como ela é hoje", diz. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: Estadão

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