Extinção no Cretáceo-Terciário? Cientistas desenterraram um osso de
saurópode datado de 64.8 milhões de anos, 700 mil anos depois do evento
de extinção do Cretáceo-Terciário, que teria matado todos os dinossauros
(Cortesia de Larry Heaman)
Nova tecnologia data osso de saurópode com 64,8 milhões de anos.
Cientistas desenterraram um osso de
dinossauro datado de 64,8 milhões de anos, segundo um estudo de geologia
publicado online em 26 de janeiro.
O fóssil é um osso fêmur da espécie
saurópode Sanjuanensis Alamosaurus. Uma espécie de dinossauro herbívoro
que pode chegar até 20 metros de comprimento.
O osso foi datado utilizando uma técnica
de datação de urânio-chumbo (U-Pb) “baseada no decaimento de dois
isótopos diferentes de urânio, 238U e 235U”, disse o Dr. Larry Heaman da
Universidade de Alberta, no Canadá, ao Epoch Times.
“Estes dois
isótopos sofrem decaimento a uma taxa temporal fixa para dois isótopos
de chumbo, 206Pb e 207Pb, respetivamente.”
“O que há de inovador em nossa abordagem
para datar um osso de dinossauro é que possuímos uma tecnologia
relativamente nova para medir a composição isotópica de chumbo e urânio
presente na composição do osso”, disse Heaman.
“Esta nova tecnologia é chamada de laser
de ablação induzida acoplado à espectrometria de massa e plasma. Nós
preparamos uma fatia fina do osso e depois apontamos um feixe de laser
com 160 mícrons de diâmetro em partes selecionadas. Os pulsos de laser
liberam pequenas partículas do osso. Estas partículas são transportadas
para um plasma onde são dissociadas e ionizadas. As partículas ionizadas
são aceleradas num espectrômetro de massa e a composição isotópica do
chumbo é determinada.”
Esta técnica permite que o fóssil possa
ser datado diretamente, como a apatita, que é um componente importante
do mineral do osso e que pode incorporar urânio, diz Heaman.
Isso faz
com que a datação seja mais precisa do que outros métodos que determinam
a idade dos fósseis a partir de substâncias na área circundante.
“A nova técnica que desenvolvemos é mais
precisa do que tentativas anteriores fracassadas de datação óssea
direta porque a geoquímica do osso pode ser complexa e ser perturbada
pela interação com fluidos posteriores à fossilização”, afirma ele.
“A nossa técnica permite-nos identificar
as partes intactas do osso que não foram perturbadas. Estes domínios
bem preservados são tipicamente muito pequenos, por isso a capacidade de
acessar o material especificamente nestes domínios não perturbados tem
sido chave para o sucesso da técnica.”
Esta descoberta de um fóssil de
saurópode com 64,8 milhões de anos “confunde o paradigma estabelecido há
muito tempo de que a era dos dinossauros terminou entre 65,5 e 66
milhões de anos atrás”, diz num comunicado de imprensa da Universidade
de Alberta.
Anteriormente, acreditava-se que os
dinossauros não-aviários pereceram durante o evento de extinção do
Cretáceo-Terciário, que aconteceu cerca de 65,5 milhões anos atrás, 700
mil anos antes do que o osso foi datado.
O novo instrumento utilizado para a datação de fósseis. A estação de
trabalho de laser está no centro da fotografia e o topo parece um
microscópio (Cortesia de Larry Heaman)
“A camada que envolve o fóssil e contém
o osso jovem está datada de um período posterior à fronteira K/T
[Cretáceo-Terciário], uma fronteira identificada em muitos lugares em
todo o mundo que tem um conteúdo anômalo de irídio, um elemento que é
abundante em meteoritos. Isso levou à teoria de que um evento o qual
envolveu um meteorito gigante e que ocorreu neste período é a única
razão para tantas espécies terem sido extintas”, disse Heaman.
Ele continuou, “Há certo debate sobre a
idade desta fronteira, mas a mais recente Escala de Tempo Geológico
coloca este limite em 65,5 Ma [milhões de anos atrás]. Estudos mais
recentes têm proposto que o limite seja ainda mais remoto (66 Ma).”
“A constatação imediata é que se os
dinossauros foram mortos por este evento, então, não deveria haver ossos
preservados em camadas além do limite K/T. Os cientistas propuseram
que, em casos como a camada que estudamos, ossos de dinossauros
localizados acima do limite K/T não foram originalmente depositados lá,
eles seriam mais antigos e por causa da erosão e re-deposição foram
movidos até este local num momento posterior ao evento K/T.”
“A idade que obtivemos para o osso de
dinossauro é de fato mais jovem que o limite K/T, por isso esta é a
primeira evidência direta de que alguns dinossauros sobreviveram a este
evento. Isso abre a questão sobre o que realmente provocou a extinção
dos dinossauros e poderia destruir um paradigma de 30 anos de que todos
os dinossauros foram mortos pelo impacto de um meteorito gigante em 65,5
Ma.”
Fonte: Epoch Times


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