Os livros de história contam que a escravidão nos Estados Unidos foi
abolida em 1865, mas os que serão publicados a partir de agora deverão
contar com um detalhe decisivo: o estado do Mississipi não o fez até há
poucos dias, 147 anos depois.
A "culpa" foi do cineasta Steven Spielberg, que com seu filme Lincoln
despertou a curiosidade de alguns cidadãos pela história de seu próprio
estado na época em que foi apresentada a 13ª emenda à Constituição, há
quase um século e meio.
Este foi o caso, por exemplo, do doutor em neurobiologia Ranjan
Batra, professor da Universidade de Medicina do Mississipi, que após ver
o filme se perguntou pela história da abolição da escravidão em seu
estado.
"É uma história comovente", disse Batra à Agência Efe sobre o filme.
"Após sair do cinema, comecei a investigar um pouco pela internet qual
era a situação do Mississipi naquele momento. Na página
"usconstitution.net", vi que havia um asterisco junto do nome do estado
em relação ao tema da 13ª emenda, e decidi continuar com o assunto".
Embora o Congresso americano tenha aprovado a lei, cada um dos 36
estados que formavam o país naquela época tinha que fazê-lo
individualmente, e se até dois terços deles não aceitassem a abolição,
ela não entraria vigor. O Mississipi ficou fora.
Após assistir ao filme no qual Spielberg narra a luta de Abraham
Lincoln para suprimir o direito à posse de um ser humano, Batra, de
origem indiana, mas naturalizado americano em 2008, compartilhou suas
inquietações com seu amigo Ken Sullivan, especialista em anatomia na
mesma universidade em que trabalha.
"Procurei Ken porque ele tem experiência política no estado, e lhe
pedi que me ajudasse a comprovar que parte do processo estava
incompleta", acrescentou Batra.
Em 1865, o Mississipi se negou a assinar o texto, mas Sullivan,
morador do estado há muito tempo, lembrou que em 1995 tanto o Senado
como sua Câmara dos Representantes locais tinham enfim aprovado
aceitá-lo.
No entanto, ao rastrear a tramitação de papéis de todo o processo, os
dois professores descobriram que ainda faltava um último passo e que,
efetivamente, o Mississipi ainda não tinha abolido a escravidão em pleno
século XXI.
Batra e Sullivan buscaram a cópia da lei nos Arquivos Estaduais, e muito antes do que poderiram imaginar, a encontraram.
"No último parágrafo, vimos que era necessário que o secretário
estadual enviasse a lei aos Arquivos Federais para confirmar sua
aceitação da 13ª emenda e confirmamos que esse procedimento nunca chegou
a ser feito", explicou o neurobiólogo.
Os dois professores entraram então em contato com o atual Secretário
estadual do Mississipi, Delbert Hosemann, que após a advertência de
ambos apresentou a documentação para a aprovação da lei, no dia 30 de
janeiro.
"Não esperávamos conseguir (cumprir os trâmites) tão rápido. (...)
Certamente se trata de algo simbólico, mas era necessário tirar esse
asterisco do nome do Mississipi e fazer com que a rejeição de todos os
estados à escravidão fosse registrada", afirmou o professor.
Assim, graças a Spielberg, a um neurobiólogo de origem indiana e a um
doutor em anatomia, nos livros de história constará que o Mississipi
aboliu a escravidão em 7 de fevereiro de 2013, quando os Arquivos
Federais oficializaram o registro.
Fonte: Yahoo!

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