domingo, 23 de março de 2008

A SAGA DOS MONSTROS ALADOS


Muitos são os relatos de seres fantásticos, mas alguns ultrapassam completamente as explicações da ciência e da razão. É nesse contexto que se enquadram às aparições de pássaros gigantescos deslocados no tempo e no espaço que não se encaixam em qualquer descrição feita pelos ornitólogos.
Aiolornis Incredibilis


Será que esses animais realmente são míticos, ou existiria um fundo de verdade nas recentes aparições? Esses monstros estariam ainda entre nós?
Para a ciência oficial o maior pássaro do planeta se extinguiu a aproximadamente 6 milhões de anos. Com 80 quilos, um comprimento de 3,30 metros, e uma envergadura de asas de 7,50 metros, o Argentavis Magnificens, descoberto na Argentina, era um verdadeiro monstro alado do tamanho de um avião Cessna 152. 


Cessna 152, Piper Cub, Argentavis Magnificens

Seu tamanho aproxima-se dos fósseis do Aiolornis Incredibilis, com 5,5 metros de envergadura, que viveu no plioceno, descobertos em La Brea, EUA.
Mitos seculares em quase todas as culturas, falam de pássaros imensos, verdadeiros Godzillas dos céus, que esporadicamente atacam e raptam seres humanos. Na mitologia grega Ganimedes é raptado por Zeus disfarçado de águia, e na mitologia nórdica, Idun é raptada pelo gigante Thiazi que utiliza o mesmo recurso.


O rapto de Ganimedes


É certo que em determinadas circunstâncias, as águias atacam pessoas. Em Tippah county, Missouri, EUA, em 1878, um menino de oito anos chamado Jemmie Kenney foi levado por uma grande águia, que não agüentando o peso, deixou cair a vitima de uma altura razoável. A criança morreu.
Em 1838, nas montanhas da Suíça, Marie Delex, de cinco anos, foi levada por um gigantesco pássaro, que se supõe ser uma águia, e achada morta sobre os rochedos. 


O ladrão dos céus -1900

Na Noruega, em 1932, Svanhild Hantvigsen, de três anos, foi raptada por uma águia. Mas depois de alguns minutos foi salva por pessoas que estranharam o comportamento do animal.

 
Kayla Finn de três anos é atacada por uma águia


Sabemos que o maior pássaro vivo conhecido é o albatroz errante, com uma envergadura de asas de 3,63 metros. O maior exemplar já medido com precisão foi um macho capturado pela tripulação do navio de pesquisas antártico Eltanin em 1965 que possuía essa envergadura.


Gavião-real, albatroz errante e águia de Steller


O albatroz é seguido de perto pelo marabu africano com 3,50 metros e o condor dos Andes, com uma envergadura de 3 metros.
O condor da Califórnia com seus 2,70 metros, equipara-se a águia de Steller e ao tuiuiú, ambos com 2,60 metros, a águia-de-cabeça-branca americana com 2,25 metros, o gavião-real com 2 metros e o grou canadense com 1,80 metros.


Marabu, condor da Califórnia, condor dos Andes e águia-de-cabeça-branca

Todos esses pássaros são colossos das alturas, mas estamos falando de animais enormes, rapineiros como a águia-de-haast (Harpagornis moorei) extinta no século XV. Com 3 metros de envergadura, esse pássaro atacava moas, uma das maiores aves terrestres conhecidas com três metros de altura e 250 quilos.


Águia de haast e moa

O pássaro do trovão (thunderbird) é uma figura amplamente recorrente da mitologia, do culto e da arte dos índios norte-americanos. Para os indígenas do noroeste americano como os haidas, o thunderbird é um espírito intermediário celeste, quase sempre concebido como uma águia ou pássaro enorme, que produz o trovão com o bater das asas e o raio ao piscar dos olhos. 


Os índios haidas acreditam piamente na sua existência, e os ojibwas relatam a sua aparição em épocas recentes. Em 1947 fazendeiros de Ramore, em Ontário, Canadá, tiveram problemas com um pássaro negro gigante que atacava o gado.


James Red Sky, um índio ojibwa da região da bacia do Thunder, em Ontário, viu um pássaro imenso nos anos oitenta; muito maior que alguns aviões. O animal não batia as asas, era branco na barriga e no peito e preto no dorso. 


Em outubro de 2002 moradores das localidades de Togiak e Manokotak no sudoeste do Alasca, avistaram um grande pássaro do tamanho de um avião de pequeno porte, com uma envergadura de asas de aproximadamente 4,5 metros.


John Bouker, um piloto que havia descartado inicialmente os relatos, afirmou que observou o pássaro a uma distância de somente 300 metros enquanto voava com seu avião, e confirmou o tamanho do animal. Bouker disse que as pessoas no avião o viram, e que o pássaro era realmente grande.


John Bouker

Phil Schemf e Rob MacDonald, do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, disseram que houve vários casos de "reconhecimento" da ave gigante em 2001 e no primeiro semestre de 2002, mas que todos os relatos anteriores tratavam de uma águia Steller. 


Os índios illinis acreditam em um pássaro legendário, muito semelhante a um dragão mitológico, o piasa, ou “pássaro devorador de homens” que aterrorizava a tribo.


O pássaro piasa e uma escultura do thunderbird feita pela tribo haida


O animal teria sido morto a flechadas pelo chefe Ouatogo e vinte guerreiros no século XVII. Os illinis pintaram em uma rocha que ficava acima de um rio perto de Alton, Illinois, a figura do pássaro monstruoso, para comemorar o evento, costumavam atirar flechas ou balas contra a figura. Na década de setenta o desenho foi refeito numa rocha em Norman’s Landing.


Segundo eles, o piasa era escamoso, com asas e uma longa cauda, chifres e olhos vermelhos, e podia ser visto uma vez por ano, na alvorada do primeiro dia do outono, quando saía do rio para escolher uma caverna onde passaria o inverno. 


Os índios Shoshones, Bannocks, e Paiutes também possuem lendas sobre pássaros semelhantes a águias, mas com cinco ou seis vezes o tamanho de uma águia comum que viveriam no deserto.
Em 1936 a lenda ganhou contornos de verdade quando o Drº Walter M. Stookey, trabalhando para a Universidade de Utah, buscava no Grande Deserto de Sal os restos da caravana do grupo Donner que desapareceu em 1846. Seguindo as marcas das carroças ainda visíveis, com um trator de esteira, o Drº Stookey encontrou os restos da expedição, e um pouco mais. 


Os restos da expedição Donner

Encontrou ninhos parecidos com os de cegonha sobre montes de terra, mas muito maiores. Em alguns deles os pedaços de madeira das carroças da caravana Donner, provavam que tinham sido feitos nos últimos cem anos.


Mesmo que o piasa ou o thunderbird sejam lendas, a verdade é que uma série de observações de enormes pássaros ocorreu em Illinois, Missouri, Pensilvânia, Ontário e até em Porto Rico.


Em 1940 na floresta Black, em Coudersport, na Pensilvânia, o escritor e historiador local Robert Lyman, observou um pássaro marrom com 7 metros de envergadura de asas.


Em Glendale, Illinois, em janeiro de 1948, James Trares, de doze anos viu um pássaro cinza-esverdeado de tamanho colossal, alçando vôo. Em 4 abril do mesmo ano, Walter Sigmund, coronel reformado do exército, observou o mesmo pássaro. 


Em 30 de abril, Charles Dunn, observou um pássaro do tamanho de um avião Piper Cub. O pássaro também foi visto em Saint Louis, Missouri, e policiais e instrutores de vôo estavam entre as testemunhas. 


Em 1977, Marlon Lowe, de dez anos de idade foi atacado por um grande pássaro em Illinois. Os gritos de sua mãe assustaram a criatura, fazendo-a soltar a criança. 


Marlon Lowe
Em 1975, na cidade de Moca em Porto Rico, o operário Juan Muñiz Feliciano foi atacado a noite por um enorme pássaro acinzentado. Acredita-se que poderia se tratar de uma espécie de morcego ainda não classificada.



Por Carlos de Castro 

Um comentário:

Joana Teixeira disse...

Ótimo texto. Já conhecia a lenda e é incrível como ela chegou até aos dias de hoje e qual será realmente a veracidade dela! O animal é realmente assustador.
Esses dias também li um outro texto a lenda Thunderbird aqui:
http://demonstre.com/thunderbird-o-passaro-do-trovao/
Abraços e até ao próximo post!

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