quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Depredação ameaça sítio arqueológico de 11 mil anos no Pará


Turistas fazem 'tiro ao alvo' em arte rupestre. Pinturas que estão em risco têm cerca de 11 mil anos.

Depois de resistirem por milhares de anos em pedras e cavernas da Serra da Lua, no município de Monte Alegre (PA), pinturas feitas por tribos antepassadas correm o risco de desaparecer.

Pichações e pedras atiradas por visitantes têm danificado uma das mais velhas marcas deixadas por habitantes nas Américas, datadas de 11 mil anos.

"As pessoas atiram pedra brincando de tiro ao alvo. Há também marcações de nomes de casais de namorados junto das pinturas", relata Silvio Figueiredo, pesquisador do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Ele é um dos organizadores do Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, promovido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi entre 2 e 5 de setembro em Belém (PA).

Segundo o pesquisador, problema semelhante também ocorre em um sítio arqueológico da Serra das Andorinhas, em São Geraldo do Araguaia, também no Pará.

"Há sulcos em baixo relevo feitos em placas rochosas, e as pessoas costumam levar essas placas como souvenir", denuncia.

Os dois locais estão dentro de áreas protegidas: as pinturas da Serra da Lua são abrigadas pelo Parque Estadual de Monte Alegre, enquanto as gravuras em baixo relevo – conhecidas como petróglifos – encontram-se no Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas.

O problema é que os dois parques não têm portões, guardas ou guias para receber visitantes, que têm acesso livre ao material arqueológico.

De acordo com a Coordenadora de Unidades de Conservação da Secretaria do Meio Ambiente do Pará, Ivelise Fiock, o órgão está reforçando a infra-estrutura dos parques para proteger melhor suas riquezas.

Na Serra das Andorinhas já foi instalada uma sede no parque e um gestor foi nomeado. Em Monte Alegre, o plano de manejo, que estabelece como o parque vai operar, está sendo finalizado e em breve serão contratados funcionários para trabalhar no local.

Para Figueiredo, a principal medida a ser tomada para preservar as inscrições antigas é controlar o acesso aos parques, estabelecendo um número máximo de visitantes.

"Uma outra ação importante é o que a gente chama de educação patrimonial. Se as pessoas da região não conhecerem e não derem importância [a esse material], ninguém mais dará".

Fonte: G1

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