Francisco Zeca Caetano, presidente do tribunal, afirmou que acusada
confessou ter “enviado seus espíritos” para eliminação física de criança
de uma família vizinha, “para se vingar do desaparecimento físico de
sua filha de 15 anos”.
Anita Luís, para “enviar os maus espiritos“,
conforme Francisco Caetano, alegou que a sua filha tinha sido morta pela
vizinha que a acusa de feitiçaria, resultando em dois casos de
bruxaria. Mas ela, inicialmente, negou que tivesse enfeitiçado a criança
finada.
Caetano disse, no entanto, que parte do dinheiro que deve
ser apresentado até dia 30 de Junho, servirá para custear as despesas
com um curandeiro que vai fazer a purificação da casa da família vítima
de feitiçaria.
“Não estimamos o valor a ser pago por Anita Luís,
porque ainda vai ser feito um levantamento dos custos para os trabalhos
de purificação da casa da família enfeitiçada, porque diz se que a casa
está ensombrada de espírito mau” – referiu Caetano, precisando que esta
foi a decisão do tribunal, numa altura em que a família ofendida
reivindicava a venda da casa da acusada de feitiçaria.
O mesmo tribunal comunitário decidiu também ilibar Imaculada Luís, de 46 anos, irmã de Anita, por considerar que não participou na feitiçaria, pese embora as duas fossem apontadas como bruxas no caso e foram forçadas a se refugiar na 4ª Esquadra da Polícia, na Munhava, devido a ameaças de linchamento.
Entretanto, o secretário do 9º bairro, Acácio Vinte,
disse que são muitos casos de feitiçarias que são julgados naquele
tribunal comunitário, seguidos de disputa de terrenos e divórcios.
Referiu
que primeiros casos de gênero são encaminhados ao setor social para o
aconselhamento. Quando se afiguram difíceis, transitam para o tribunal
comunitário.
Os casos de alegado feitiço chegam a resultar em vítimas
mortais, mesmo entre filhos e seus pais, sobretudo quando aqueles
acusam seus progenitores de insucessos na vida.
Trata-se de uma
realidade que somente encontra uma possível explicação com recurso à
metafísica, segundo estudo sobre os usos e costumes locais.
Acácio
Vinte chega mesmo a dizer que há necessidade de campanha de
sensibilização no sentido de as pessoas abandonarem actos de feitiçaria,
de forma que as pessoas vivam em paz e harmonia nas comunidades.
A
nossa Reportagem soube, aliás, que esta condenação tem a ver com as
conclusões a que chegam curandeiros indicados pela Associação dos
Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) junto a tais tribunais,
por processos de adivinhação.
O secretário da Munhava Central
disse-nos, anteriormente, que o cadáver da criança no centro deste caso
chegou a ser transportado para a sede do bairro.
“A família chegou a
levar o cadáver para aqui (bairro), mas, com o nosso aconselhamento, foi
possível removê-lo para a morgue e a realização do funeral (…) Anita
Luís foi apontada como a mandante de feitiçaria. Mais tarde, ela mesma
confessou ter sido a pessoa que mandou os seus espíritos matarem o
recém-nascido da vizinha em retaliação pela morte de uma filha sua de 15
anos” – palavras de Acácio Vinte.
A confissão a que se refere Vinte é
arrancada pela AMETRAMO e mesmo a acusação feita segue-se a consultas a
curandeiros.
Estes casos não são da esfera dos tribunais comuns, mas,
tal como disse o secretário do bairro, são muitos, complexos e são
responsáveis por alguma violência entre pais e filhos, avós e netos,
entre outros parentes.
Fonte: Diário de Moçambique

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