sábado, 16 de junho de 2012

Moçambique: Tribunal Comunitário condena mulher de 30 anos por bruxaria



Francisco Zeca Caetano, presidente do tribunal, afirmou que acusada confessou ter “enviado seus espíritos” para eliminação física de criança de uma família vizinha, “para se vingar do desaparecimento físico de sua filha de 15 anos”.


Anita Luís, para “enviar os maus espiritos“, conforme Francisco Caetano, alegou que a sua filha tinha sido morta pela vizinha que a acusa de feitiçaria, resultando em dois casos de bruxaria. Mas ela, inicialmente, negou que tivesse enfeitiçado a criança finada.

Caetano disse, no entanto, que parte do dinheiro que deve ser apresentado até dia 30 de Junho, servirá para custear as despesas com um curandeiro que vai fazer a purificação da casa da família vítima de feitiçaria.

“Não estimamos o valor a ser pago por Anita Luís, porque ainda vai ser feito um levantamento dos custos para os trabalhos de purificação da casa da família enfeitiçada, porque diz se que a casa está ensombrada de espírito mau” – referiu Caetano, precisando que esta foi a decisão do tribunal, numa altura em que a família ofendida reivindicava a venda da casa da acusada de feitiçaria. 

 
O mesmo tribunal comunitário decidiu também ilibar Imaculada Luís, de 46 anos, irmã de Anita,  por considerar que não participou na feitiçaria, pese embora as duas fossem apontadas como bruxas no caso e foram forçadas a se refugiar na 4ª Esquadra da Polícia, na Munhava, devido a ameaças de linchamento.

Entretanto, o secretário do 9º bairro, Acácio Vinte, disse que são muitos casos de feitiçarias que são julgados naquele tribunal comunitário, seguidos de disputa de terrenos e divórcios.

Referiu que primeiros casos de gênero são encaminhados ao setor social para o aconselhamento. Quando se afiguram difíceis, transitam para o tribunal comunitário.

Os casos de alegado feitiço chegam a resultar em vítimas mortais, mesmo entre filhos e seus pais, sobretudo quando aqueles acusam seus progenitores de insucessos na vida.

Trata-se de uma realidade que somente encontra uma possível explicação com recurso à metafísica, segundo estudo sobre os usos e costumes locais.

Acácio Vinte chega mesmo a dizer que há necessidade de campanha de sensibilização no sentido de as pessoas abandonarem actos de feitiçaria, de forma que as pessoas vivam em paz e harmonia nas comunidades.

A nossa Reportagem soube, aliás, que esta condenação tem a ver com as conclusões a que chegam curandeiros indicados pela Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) junto a tais tribunais, por processos de adivinhação.

O secretário da Munhava Central disse-nos, anteriormente, que o cadáver da criança no centro deste caso chegou a ser transportado para a sede do bairro. 


“A família chegou a levar o cadáver para aqui (bairro), mas, com o nosso aconselhamento, foi possível removê-lo para a morgue e a realização do funeral (…) Anita Luís foi apontada como a mandante de feitiçaria. Mais tarde, ela mesma confessou ter sido a pessoa que mandou os seus espíritos matarem o recém-nascido da vizinha em retaliação pela morte de uma filha sua de 15 anos” – palavras de Acácio Vinte.

A confissão a que se refere Vinte é arrancada pela AMETRAMO e mesmo a acusação feita segue-se a consultas a curandeiros. 


Estes casos não são da esfera dos tribunais comuns, mas, tal como disse o secretário do bairro, são muitos, complexos e são responsáveis por alguma violência entre pais e filhos, avós e netos, entre outros parentes. 




Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...