sábado, 16 de junho de 2012

Oeste da Amazônia era esparsamente habitado antes de Colombo

Rio Amazonas próximo a Tefé, uma das áreas estudadas


Descoberta vai contra a ideia atual de que toda a região era toda ocupada naquele período e indica que floresta pode não ser tão resistente a modificações.

De acordo com estudos arqueológicos mais recentes, toda a Amazônia já estava ocupada por grandes sociedades humanas antes da chegada de Cristóvão Colombo à América. Mas um trabalho publicado na quinta-feira (14) no periódico científico Science mostrou que ao menos a parte oeste da região era esparsamente habitada naquele período.


“Nossas descobertas são surpreendentes, pois mostram uma imagem muito diferente da habitação humana na Amazônia na era pré-Colombo. Pesquisas arqueológicas recentes do leste e do centro da Amazônia, assim como da região de Beni, na Bolívia, documentaram a existência de grandes sociedades humanas naquele período. O conceito popular atual era de que pessoas modificaram a paisagem de grandes áreas da Amazônia. Nossas descobertas sugerem outra coisa, que essas grandes sociedades existiram primariamente em regiões ricas em recursos naturais, como as perto dos grandes rios e das florestas mais secas, que podiam ser queimadas mais facilmente”, explicou ao iG Crystal McMichael, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, uma das autoras do trabalho. 


A descoberta foi feita a partir da análise do solo de 55 diferentes locais da Amazônia. Os cientistas buscaram evidências da presença humana neles como camadas de carvão e depósitos de sílica, dois indicativos da existência de agricultura ancestral.


Eles encontraram muito pouco delas na região oeste e também de outros indicadores da presença humana como ferramentas de pedra e cerâmica.


“O conceito de que a maior parte da Amazônia pré-Colombo havia sido modificada ou transformada pela presença humana -- que era baseada em dados provenientes de poucos pontos -- começou a se espalhar por diferentes disciplinas acadêmicas além da arqueologia. Por exemplo, os altos níveis de impacto sugeridos pela ocupação pré-Colombo e pela manipulação da floresta foram colocados como os principais responsáveis por dar forma a distribuição de espécies e aos padrões de biodiversidade de flora e fauna na Amazônia. Nossos dados refutam esta ideia e dão suporte às ideias mais antigas de que a distribuição de espécies e os padrões de biodiversidade refletem processos evolutivos e ecológicos de longo prazo. Talvez o mais importante do nosso trabalho é que ele sugere que não se pode assumir que as florestas da Amazônia são resistentes a grandes distúrbios, pois muitas delas nunca foram manipuladas ou foram apenas levemente modificadas no passado”, afirmou Crystal.


Agora os cientistas querem entender melhor qual o papel humano ao longo do tempo na formação da floresta amazônica como a conhecemos hoje.




Fonte: IG / Pesquisa Fapesp

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