Uma observação feita no ano passado por astrônomos de
vários países, incluindo pesquisadores do Brasil, permitiu a descoberta
de anéis em um corpo celeste do sistema solar do tipo centauro, pequenos
objetos que orbitam ao redor do Sol atravessando as órbitas dos
planetas.
O objeto, denominado Chariklo, está situado entre as órbitas
de Saturno e Urano, e tem dois anéis, distantes cerca de nove
quilômetros um do outro.
O artigo descrevendo a descoberta foi publicado nesta
quarta-feira na revista Nature e é assinado por 62 astrônomos, sendo 11
brasileiros, dos quais cinco trabalham no Observatório Nacional (ON),
órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Os anéis foram
batizados pelos descobridores como Oiapoque, para o mais largo, enquanto
o outro foi denominado Chuí, mas a confirmação dos nomes depende ainda
da IAU (sigla em inglês para União Astronômica Internacional).
A descoberta põe por terra a tese que vigorava até
então, de que somente os planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e
Netuno) possuem anéis.
O astrônomo Roberto Vieira Martins, do ON, disse
hoje (26) à Agência Brasil que o fenômeno foi visto em sete
observatórios localizados na América Latina, com destaque para Chile,
Uruguai, Argentina e Brasil. O projeto resultou de cooperação entre o
ON, o Observatório de Paris e o Instituto de Astrofísica de Andaluzia,
na Espanha.
Martins esclareceu que a observação faz parte de um
programa de longo prazo que pretende entender como o sistema solar se
formou e como evoluiu no início de sua vida.
"Dentro desse projeto, a
gente observou esse objeto particular e descobriu, por acaso, que ele
tinha anéis. A importância do anel é que, até hoje, só se conhecia
anéis nos grandes planetas do sistema solar. Nenhum outro objeto tinha
anel", sustentou.
Chariklo Centauro é um objeto pequeno, cujo diâmetro
mede apenas 250 quilômetros. "É menor do que a Lua".
Fora a surpresa da
descoberta, os astrônomos vão se dedicar agora a tentar explicar como
isso ocorreu, porque o mecanismo de formação de anéis que a astronomia
conhece hoje está ligado a planetas gigantes.
"O achado vai motivar
agora um olhar diferente para procurar entender como se formam anéis em
um corpo celeste pequeno", disse o astrônomo do ON.
Martins ressaltou que a descoberta é importante porque
se trata de uma observação feita em cooperação entre pesquisadores de
diversos países.
"Para o Brasil, em particular, significa inserção
internacional da ciência", explicou. Como a descoberta utilizou
tecnologia de ponta, o achado tende ainda ao desenvolvimento de novos
métodos e equipamentos. "O retorno para a sociedade vem por meio da
evolução da tecnologia que a ciência propicia", disse.
O pesquisador reiterou que, a partir do entendimento
sobre o Chariklo, que é o maior de seu tipo, os astrônomos poderão ter
uma boa ideia sobre a formação e evolução do próprio sistema solar.
"É
muito importante para saber por que ele tem a cara que apresenta hoje,
inclusive para poder tirar conclusões se um sistema como o nosso é comum
ou não no universo".
Fonte: Terra

Nenhum comentário:
Postar um comentário