Um problema que vinha bagunçando as estimativas de aumento do nível do
mar decorrente do aquecimento global acaba de ser resolvido.
O que atrapalhava os cientistas é que um pedaço da crosta terrestre atua
como gangorra: quando o gelo do Canadá derrete muito, tira peso de uma
borda da placa tectônica norte-americana e faz a outra borda descer,
afundando no mar ilhas como as Bahamas e as Bermudas.
Foi isso o que aconteceu 400 mil anos atrás e fez o mar avançar mais de 20 metros de altura nesses arquipélagos.
Na época, o planeta estava em uma era glacial e passou por um intervalo
de aquecimento de 10 mil anos. Geólogos descobriram que o mar tinha
avançado sobre as Bahamas e as Bermudas nesse período. Fósseis de
animais marinhos com essa idade foram encontrados em regiões altas.
Uma elevação de 20 metros no nível dos oceanos, porém, era uma
catástrofe que não estava de acordo com os cálculos dos cientistas. Para
que isso acontecesse, seria preciso um derretimento completo das
plataformas de gelo da Groenlândia e da Antártida.
Mas um estudo em edição recente da "Nature" mostra que o problema foi
mesmo causado pelo "efeito gangorra", que fez as ilhas afundarem mais
que o previsto.
A geóloga Maureen Rayno, da Universidade Columbia (EUA), autora da
pesquisa, concluiu que a inclinação tectônica afundou as Bahamas em 10
metros. Como o derretimento da Antártida Ocidental e da Groenlândia já
tinham adicionado 10 metros ao nível do mar, a impressão é que a água
subiu 20 metros.
Segundo Raymo, as Bahamas e as Bermudas deverão enfrentar de novo o
problema com o aquecimento global. "O efeito será menor se considerarmos
só o que vai acontecer neste século, pois o período de aquecimento do
estudo é de 10 mil anos."
O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança
Climática) estima que o nível do mar deve subir 60 cm até o fim deste
século. Raymo diz que a tendência é que o painel revise essa previsão
até para pior.
Num cenário de 1 metro de elevação da água, 145 milhões de pessoas podem ter de se deslocar, estima um relatório da ONU.
Fonte: Folha.com
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