por Antônio Serpa do Amaral Filho
Um fenômeno sobrenatural vem acontecendo no centro histórico da
capital: fantasmas e vultos de outro mundo foram vistos perambulando
pelo interior do prédio da Unir-Centro.
Assustados e surpresos, alguns
vigilantes e guardetes da jornada noturna juram, por todos os santos da
Bahia, inclusive São Sebastião, terem visto inúmeras manifestações
fantasmagóricas fazendo mungango para os vivos nos corredores do outrora
Porto Velho Hotel.
São tantas as manifestações de seres do além nos
corredores e escaninhos do suntuoso bem cultural dos porto-velhenses que
já se pensa em instalar câmeras bisbilhoteiras para captar imagens das
entidades que passeiam de madrugada pelas instalações da obra
neocolonial projetada pelo arquiteto Leogrin de Vasconcelos Chaves, com
acompanhamento técnico do engenheiro José Otino de Freitas.
Sua
construção teve início em 1948, no governo de Joaquim Araújo Lima, e foi
concluída em 1953, no governo de Jesus Bulamarque Hosana.
Os espíritos
desses nobres edificadores teriam voltado para inspecionar e avaliar a
destinação prescrita ao bem histórico? Ou será que, acometidas de
incontrolável saudosismo, as almas daqueles que curtiram os tempos
áureos dos saraus, bailes e boêmias ali produzidos regressaram para
revisitar o palco onde um dia tiveram flashes de felicidade e de grande
emoção?
No espaço da famosa Varanda Tropica daquele edifício, ali se
apresentou o conjunto Bossa Nova, composto pelos músicos: Paulo Santos,
no violão; Ricardo, na bateria; Bainha, Cabeleira e o nego Leônidas
fazendo a percussão; João Henrique e Manga Rosa, no sax e flauta; e
Dinoel, na guitarra.
Diz a lenda que José Otino, após um mês do falecimento da sua esposa,
teria participado de uma sessão espírita, onde ocorrera o fenômeno da
comunicação entre mortos e vivos, tendo o espírito de Bezerra de Menezes
se manifestado naquela ocasião, fazendo algumas pregações e outorgando
conselhos aos que participavam daquela fantástica experiência. E assim o
luto da família teve fim.
Até que o ilibado pesquisador Antônio Cândido prove o contrário, não se
tem notícia da construção de nenhuma obra similar nas capitais dos
outros seis territórios federais criados em 13 de setembro de 1943 pelo
presidente Getúlio Vargas.
Só o Território Federal de Rondônia se
atreveu a edificar obra aquilatada como faraônica para o contexto da
época.
O historiador Antônio Cantanhede, em citação do jornalista Sílvio
Santos, assim a descreveu: “Trata-se de edifício de grande porte que
terá 30 quartos e 20 apartamentos, além de salões, diversos serviços e
área coberta é de 1.780m2.” Portanto, espaço bastante para hospedar
inúmeras brigadas de seres espirituais.
Se as aparições são frutos da imaginação ou do medo, não se sabe. O fato é que o professor Adilson Siqueira, hoje chefe de gabinete da reitora Berenice Tourinho, depois de escrever uma homenagem ao falecido filósofo Pedro Vicente Lourensatto, teve também uma experiência no mínimo curiosa: quando ativou a tecla ENVIAR do correio eletrônico, para destinar a matéria aos jornais locais, as lâmpadas fluorescentes do teto estouraram, uma sutil atmosfera permeou o ambiente, deixando o gabinete às escuras e provocando calafrios nas veias do militante do PSOL.
O relógio marcava pontualmente seis da tarde, hora cabalística,
pois nela se abre a perspectiva do contato com a dimensão transcendental
- no dizer do bruxo e antropólogo Carlos Castañeda.
Jesuá Johnson, o Bubu, também disse ao Globo Repórter ter visto fantasma - fantasma de um trem trotando por sobre os dormentes que representam boa parte dos homens mortos na construção da Ferrovia do Diabo.
Seres de outras estações nos visitam ou somos nós, rondonienses,
que, em comendo o pão que o diabo amassou, neste contexto tenebroso em
que vivemos, visitamos estações místicas e psicológicas da nossa alma, a
projetar inquietude profanas e sagradas, no afã de uma vida melhor e
mais digna, a que chamamos fantasmas?
Chame o padre Quevedo, o crente
que quiser passar a limpo essa estória. Aos céticos e racionais
sugere-se que convoquem a semiótica, para que a ciência dos signos de
linguagem ajude a decodificar os mistérios que povoam o imaginário dos
karipunas e migrantes tupiniquins.
Fonte: Rondonotícias
Um comentário:
Porque os guardas rondoniennses estavam clamando a todos os santos da Bahia??
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