terça-feira, 30 de julho de 2013

Cientistas iniciam remoção de animal pré-histórico em Candelária



Pode ser o maior fóssil encontrado no município, onde já foram retirados mais de 50 animais.
 
 
De peça em peça, os paleontólogos vão reconstruindo a nossa história. Num trabalho minucioso e imprevisível, mais um fóssil começou a ser removido ontem em Candelária, no Vale do Rio Pardo. 
 
 
Ainda encoberto por rocha, os pesquisadores acreditam ser um dicinodonte, animal que viveu há cerca de 230 milhões de anos e que faz parte da linhagem que inclui os mamíferos.


Embora não seja a primeira vez que essa espécie seja encontrada em Candelária, os cientistas acreditam estar diante de um dos poucos fósseis inteiros pertencentes a ela, uma circunstância rara e, por isto, bastante comemorada quando ocorre. 

 
— Não é o primeiro e nem deve ser o último dessa espécie a ser encontrado. Mas cada fóssil encontrado sempre soma na reconstrução da história e, se ele estiver inteiro, deve ajudar ainda mais — afirma o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Cesar Schultz.


Com cerca de dois metros de comprimento, o animal pode ser o maior já encontrado em Candelária. O fóssil, que fica numa fazenda particular da localidade de Pinheiro, foi descoberto há três anos por estudantes da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que não conseguiu dar continuidade à coleta do material justamente em função das dimensões do fóssil.


No início deste ano, a pedido do Museu de Paleontologia de Candelária, que colabora com as instituições de pesquisa do Estado, realizando o monitoramento dos sítios fossilíferos do município, o trabalho foi retomado, agora com a participação da UFRGS.


— Outra possibilidade é que haja outros animais nesse mesmo espaço ou até mesmo mordidas, o que pode nos ajudar a identificar possíveis predadores da época — complementas Schultz.


Nesta segunda-feira, utilizando britadeira, enxadas e martelos geológicos, uma equipe composta por oito estudantes e um professor, somada a três colaboradores do museu Candelária, intensificou o trabalho no local, escavando a rocha ao redor do fóssil.


Após ser totalmente escavado, o bloco, como é chamado o conjunto da ossada com a rocha que a encobre, deve receber uma nova camada protetora de gesso, sendo que a primeira havia sido colocada pela Unipampa, mas acabou desgastada devido ao longo tempo de exposição. 
 
 
Este processo é importante para evitar que o bloco — que deverá pesar mais de uma tonelada — se desmanche na hora de ser retirado do local onde está.


Somente depois de estar totalmente protegido com gesso e apoiado numa armação de madeira, que deve ser colocada hoje, é que um guindaste deve ser levado para retirar o bloco e transportá-lo até o Museu de Candelária.


— Lá, onde há condições para ser devidamente guardado, estudantes devem iniciar a limpeza do fóssil — afirma o curador do museu de Candelária, Carlos Nunes Rodrigues, acrescentando que ferramentas da espessura de uma agulha serão utilizadas para remover a terra e expor toda a superfície do osso.

Parte da Rota Paleontológica gaúcha, que vai de Vila Mariante à Mata, Candelária possui 30 pontos fossilíferos e única região do país onde existem animais do período triássico, 29 deles são monitorados por voluntários do Museu Paleontológico e um é mantido pelo governo estadual em parceria com o município, local chamado de Parque Paleontológico de Candelária.



QUEM É ESSE ANIMAL ENCONTRADO? 


— Os pesquisadores ainda não têm certeza a respeito da espécie, mas já sabem que o animal encontrado em Candelária pertence ao grupo dos dicinodontes.


— Esse animal viveu há cerca de 230 milhões de anos, ou seja, no período triássico, um pouco antes dos primeiros registros de dinossauros. Na época, eram os herbívoros mais comuns em todo o planeta (lembrando que, naquela época, todos os continentes estavam unidos numa só massa de terra, a Pangeia), podendo ser comparado à vaca nos tempos atuais.

— Há duas espécies conhecidas de dicinodontes no Rio Grande do Sul. Um deles, o Dinodontosaurus, que é o mais abundante, possuía na boca dois grandes caninos superiores. A outra, sem estas presas, se chama Stahleckeria e podia chegar a quatro metros de comprimento.


— Eles são quadrúpedes, não tinham dentes para mastigação (mas sim um bico córneo parecido com o das atuais tartarugas) e uma cauda curta. Não são dinossauros nem répteis e se aproximam mais dos mamíferos, principalmente pelas características do esqueleto e pela forma como andavam juntos, em manadas. Sabe-se que eles tinham esse comportamento devido a uma descoberta anterior, feita na mesma região de Candelária, de 10 filhotes que morreram todos juntos. 




Fonte: Zero Hora

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